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Enquanto isso...

Capitalismo, imperialismo, movimentos sociais e luta de classes
" A própria definição de capitalismo precisa ser permanentemente relembrada, de forma a não se tornar uma espécie de palavra crispada, congelada, coisificada e ossificada. Capitalismo costuma ser pensado como uma “economia” descarnada pelos próprios capitalistas, que eliminam as relações sociais, ou humanas, de seu horizonte de cálculo. Ora, capitalismo é uma relação de produção e reprodução da vida social baseada em classes sociais. Não se define simplesmente por uma relação contratual de trabalho, ainda que nele as relações sociais tendam a assumir a forma jurídica; também não se limita a uma espiral acumulativa de riquezas, mesmo se o impulso à acumulação de capitais e à sua concentração são traços fundamentais; também não se define pelo predomínio do mercado, apesar de ser a forma social de produção mais extensamente baseada na produção de mercadorias. " Virgínia Fontes

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As crises econômicas e a teoria marxista
AS CRISES ECONÔMICAS E A TEORIA MARXISTA

"A base do modo de produção capitalista é a produção de mais-valia para valorizar o capital, este entendido como valor em processo, valor que procura se valorizar, valor que entra na circulação para se multiplicar e se acumular. A mais-valia, por sua vez, é materialização de tempo de trabalho não-pago, ou rendimento de trabalho alheio acumulado. O processo de produção capitalista é, portanto, processo de produção de mais-valor. O motor da produção capitalista é a obtenção permanente de mais-valor, e a origem do mais-valor é a exploração da força de trabalho humana, decorrente da divisão de classes, fruto da forma de apropriação dos meios de produção que gera a relação antitética entre proprietários e não-proprietários dos meios de produção, isto é, capitalistas e trabalhadores.

A relação de negatividade que caracteriza a sociedade capitalista faz com que o trabalhador tenha que vender sua força de trabalho para o capitalista e dele receber um salário, fruto de um contrato aparentemente livre, mas essencialmente opressor: o contrato determina como e quanto tempo o operário deve trabalhar. O despotismo na fábrica decorre de uma necessidade do capital: a divisão do trabalho que, através dos avanços técnicos e dos graus de especialização do trabalho, faz aumentar a produtividade, acumulando mais capital." Osvaldo Coggiola & José Martins

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Vinte anos de Crítica
N
ossa grande aventura chamada CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA está completando seu vigésimo aniversário. Geneticamente, mais de vinte anos atrás, um grupo de dedicados operários das regiões da Grande São Paulo, Campinas, Itu, Sorocaba e Baixada Santista, vinham toda quinta-feira à noite à sede do 13 de Maio Núcleo de Educação Popular para estudar e analisar a situação da economia internacional e brasileira. Foi precisamente aqueles valorosos companheiros que nos incumbiram de redigir um boletim que fosse uma síntese do tema econômico discutido na semana, e que fosse distribuído para outros trabalhadores, nas mais diversas regiões do país. Um boletim semanal. Assim, vinte anos atrás, exatamente na primeira semana de maio de 1987, publicamos o primeiro boletim. E não paramos mais. Foram mais de novecentos boletins semanais. Sem interrupção. As pausas (a maior parte delas compensadas com boletins especiais) foram devidas principalmente a problemas de saúde ou a viagens mais longas do nosso redator.
 
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Os destaques...

As poesias...

"Quisera chorar teus dedos dilacerados:
raízes do meu canto subterrâneo.

Quisera chamar-te "Hermano"
como a infância dos rios
lava o rosto da terra,


mas minha boca sangrava
um silêncio de canções amordaçadas.


De tuas mãos se dirá um dia:
geravam pássaros de sangue
como as primaveras da lua.


Tuas mãos,
tristes descendentes das canções araucanas,
tuas mãos mortas,
casa de canções decepadas,

tuas mãos rotas,
últimas filhas do vento,

guitarras enterradas sem canto,
sementes de fuzis,
seara de sangue.

Quisera entregar
minhas mãos inúteis
ao cepo de teus carrascos."



Por Pedro Tierra

 

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